Sistema fonético (Major) em português brasileiro: como tratar ti/di, lh/nh, R forte e L no fim de sílaba?

Olá, pessoal!

Ando estudando o Major System (conversão fonética número↔palavra) e quero adaptá-lo bem ao português brasileiro. Antes de fixar minhas próprias regras, queria saber como vocês, praticantes
brasileiros, lidam com alguns sons — pra seguir o que a comunidade já usa em vez de inventar do zero.

Parto da tabela clássica do Major, por som de consoante:

  • 0 → s, z (e “ç”/“x” com som de /s/)
  • 1 → t, d
  • 2 → n
  • 3 → m
  • 4 → r
  • 5 → l
  • 6 → ch, j, x (chiado), g brando (ʃ/ʒ/dʒ)
  • 7 → c/k duro, g duro, qu
  • 8 → f, v
  • 9 → p, b

Minhas dúvidas são justamente os sons que o PT-BR tem e o inglês/alemão não. Como vocês codificam:

  1. Palatalização de /t/ e /d/ antes de /i/ (e do “-e” final que vira [i]): em boa parte do Brasil, “dia”, “tia”, “leite”, “cidade”, “Ronaldinho” saem como [dʒ]/[tʃ] (“djia”, “leitchi”).
    Vocês contam esse som como:
  • 1 (t/d — ignorando a palatalização, como na pronúncia nordestina/de colônia que mantém [t]/[d])?

  • 6 (no grupo do chiado, junto com “j”/“ch”)?

  • ou 1+6 (t/d mais o chiado)?

    Ex.: “leite” seria 51, 56 ou 516? “dia” seria 1, 6 ou 16?

  1. lh /ʎ/ e nh /ɲ/ (“filho”, “milho”, “banho”, “caminhão”): contam só como 5 (L) e 2 (N), ou acrescentam um dígito para o elemento palatal (tipo lh = L + i = 56, nh = N + i = 26)?

  2. R forte / RR (R inicial, “carro”, “rato”, “Rio”): sempre 4, junto com o tepe brando? Mesmo quando é pronunciado como fricativa [h]//[ʁ]?

  3. L no fim de sílaba que vira semivogal [w] (“Brasil”, “futebol”, “sol”): conta como 5 (L) ou some (vira vogal e não conta)?

  4. Qualquer outra convenção específica do PT-BR (ditongos nasais “ão/ã”, “s” chiado no fim de sílaba etc.) é muito bem-vinda.

Se puderem compartilhar a tabela/regras que usam — e se existe alguma convenção mais ou menos “padrão” na comunidade brasileira — ajudaria muito. Obrigado! :folded_hands:

Olá! Que dúvida interessante.

Algo que se nota no inglês é que muitas vezes o foco está mais nas letras da palavra do que no som que elas produzem. Essa mesma abordagem também pode ser aplicada ao português.

Assim, podemos considerar:

• TI, DI → 1
• NH → 2
• RR → 4
• LH → 5

Como o H é uma letra muda, mesmo quando forma um novo som com L ou N (como em lh e nh), ele não altera o valor atribuído.

Quanto ao RR, embora uma interpretação rigorosa das regras pudesse sugerir 44 (por serem dois R), muitos grandes mestres da memória preferem tratá-lo apenas como 4. Isso torna o sistema mais prático, especialmente porque existem muitas palavras que contêm RR, evitando complicações desnecessárias.

Yo hablo español. Para mí 0 es c. Y 8 es s. Es más fácil por la forma de la letra.

Muito obrigado pelas resposta — ajudaram demais a fechar
as decisões. :folded_hands:

Queria compartilhar onde cheguei, caso seja útil pra mais alguém. Um
detalhe importante: o português é, pra mim, um terceiro idioma no Major
(já uso em alemão e inglês), então tentei deixar a lógica o mais
consistente possível com as minhas regras do ALEMÃO e, acima de tudo,
manter o sistema FONÉTICO — baseado no som, não na letra. Ou seja,
algumas escolhas seguem “como eu ouço o som”, e é totalmente possível
que outra pessoa decida diferente. São preferências pessoais. :slight_smile:

As principais decisões:

• ti/di palatalizados (o “tchi/dji” de tia, dia, leite, cidade): trato
como t/d + “ch” → 1 + 6 = 16. Então tia/dia = 166, leite = 516,
cidade = 0116. (Eu realmente escuto um t/d seguido do “ch”, igual ao
“tsch” do alemão em “Kutsche”.)

• ch/j/x do chiado (chave, jogo): continua 6.

• lh (filho, mulher): l + 6 = 56 → filho = 856.

• nh (banho, caminhão, Ronaldinho): n + 6 = 26 → banho = 926,
caminhão = 7326.

• R forte / RR / R inicial (carro, rato, Rio — aquele R gutural):
pra mim soa como o “ch” do alemão, então = 6 → carro = 76, rato = 61.
Já o r brando/tepe (caro, Brasil, porta) continua 4 → Brasil = 940.

• gua/qua (água, quando): o “u” semivogal junta com o k/g e vira só 7
(o glide não conta), igual ao “qu” alemão → água = 7, quando = 721.

• L no fim de sílaba (o “l” que vira “u”: Brasil, futebol, sol):
descarto, porque virou semivogal e não consoante → futebol = 819,
sol = 0.

• w/j como consoante de início (estrangeirismos como web, kiwi; “j”
antes de vogal): contam (w = 8, j = 6). Mas como semivogal no fim de
ditongo (mãe, pai), caem.

De novo, valeu demais pela troca! Se alguém faz diferente — por exemplo,
juntando o “ch” num 6 só, ou tratando o R/L de outro jeito — eu ia
adorar entender o raciocínio. Abraço!